quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma estrela no céu

Durante a noite, sobre o manto de estrelas, nasce um ponto brilhante no meio de tantos outros. Várias vezes tinha contemplado o céu e nunca tinha notado nesta nova descoberta. Observo de novo o astro e pergunto-me: Qual o motivo do seu nascimento? Como pode aparecer uma estrela, assim, sem anunciar? Fiquei a contemplá-la. Foi brilhando, explodindo pelo seu fulgor. E de repente, uma tristeza invadiu-me...
Sem conseguir explicar, do meu rosto soltou-se uma lágrima. Deixou-me nostálgico, algo melancólico. Recordei, sem entender o porquê, os que partiram e os que, possivelmente, salpicam o céu. Imaginei que cada estrela representava alguém que era querido. Pelos diversos motivos: uma partida não anunciada, uma morte inesperada, uma dor que ocupa o peito na impossibilidade de nada poder fazer...
Voltei a contemplar as estrelas e, olhando para o novo astro, veio a meu peito a saudade dos que me eram mais queridos. Esbocei um sorriso pelos momentos esplendorosos que foram partilhados. Mas senti a dor de não ter estado mais presente, de não ter partilhado outras coisas que não foram vividas. Queria poder voltar atrás e poder viver mais, com mais aventuras. Porque agora, quando olho para trás, sinto que não dei tudo.
Por fim, imaginei que cada estrela que brilhava no céu estaria a vigiar os que mais ama. Desejei que o manto aí estivesse para nos velar. Com a tristeza da dura realidade de mais um ente-querido ter sucumbido, mais uma estrela veio guardar-nos e brilhar junto dos que agora sentem a perda...

@ Paula e Edgar

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os outros



A visão que temos do outro merece a sua reflexão. Nunca como agora, onde cada um tem direito a ter a sua opinião pessoal, se tem tido uma visão tão subjectiva do outro. Avalia-se tudo e todos segundo padrões, pensamentos, modos de estar, sentimentalmente, estatuto social ou mesmo económico, numa avaliação pessoal e intransmíssivel.

Caminha-se pela rua com o desejo de saber o que o outro pensa a respeito de pormenorizado assunto, o que se passará na cabeça num determinado momento, ou qual o conhecimento que o outro tem das coisas, segundo os padrões em que cada um se rege. E ainda assim, muitas vezes avalia-se uma pessoa por uma primeira atitude ou mesmo um primeiro momento mal iniciado. Não confiro a essas pessoas a inteligência.

Tudo isto se deve à velocidade em que as coisas são vividas e também às exigências que cada um faz para com os outros e para consigo. Nem sempre se tem toda a informação e a uns julgam-se no direito de imaginar que os outros não estão à altura. Pobres de espírito. Mas também há os outros, onde a inteligência não foi abonatória, que andam vagueando pelas ruas, colocando-se no seu andor e que vão caminhando, julgando-se mais espertos que os outros. Parvos. Há também os que formulam uma opinião sem nunca terem dado hipótese de saber qual o conhecimento que se pode tirar de uma boa conversa. Estupidez e falta de timing.

Porque Também tenho vontade de ser curioso e de conhecer o circulo em que me rodeio. Porque também tenho um cérebro e que gosto muito de utilizar. Porque também ando nas ruas a observar os outros que passam por mim e qual a sua postura em diversos momentos. Porque também vejo o que me está por diante, onde avalio e analiso as situações que acontecem. Por tudo isso e pelos momentos que vou vivendo, vou criando a minha vida com todo o conhecimento que me for oferecido, sem que com isso tenha de levar com posturas altivas e sem nexo, com falta de humildade e de sinceridade, onde o gosto que se tem pelas coisas, está na simplicidade de as fazer com naturalidade. Somos o que somos e devemos muito à proporção que nos é dada a eleger.

Há um mundo lá fora, sabiam?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Desprovido de sentimento



E eis que o sentimento deu lugar ao carnal, ao animalesco. O mais vil desejo está entranhado no sangue que corre nas veias, dando lugar ao desconforto de poder amar e ser amado. Não há lugar à entrega, pois o receio de voltar a fazê-lo é maior do que o desejo de voltar a sentir.

O medo.

Ambiciona-se uma mudança, um sinal de que as coisas sejam mais ternurentas, sentidas, sorridentes perante a vontade de partilhar algo. Mas, após alguns percalços no mundo do sentimento, o amargo torna-se num todo.

Não. Não e não. Talvez...

As voltas que se deve dar para tentar entender o que de errado se encontra nos passos que, ao longo de uma caminhada singela, vão sendo obscuras e negras, onde as candeias não iluminam as estradas que cada um traça para a sua vida. Porquê? Qual a resposta? Onde reside o botão do reset? Alguém tem a resposta?

O mundo dos homens é confuso, perante a adversidade do sentimento.

Há quem procure momentos carnais, de verdadeira tesão, de sexo animalesco, podendo jogar todos os trunfos mais baixos e vis para conseguir uma noite de prazer. Ou quem procure o lado belo de uma história, onde está contemplado o sentimento e o desejo. Ou ainda quem esteja confuso com o sentimento, buscando entender o que lhe está reservado, alimentando-se de tudo o que tem direito. Muitos até levam a vida no fio da navalha, aproveitando todos os momentos que lhes seja possível aproveitar. Também há quem não se queira entregar, simplesmente para não se magoar, colocando as cartas sobre a mesa, sem nunca mudar um milímetro do seu rumo.

Confusos, este homens...

No fundo, todos se alimentam do que mais lhes agrada. Não é difícil de dizer que, numa determinada altura, cada um poderá passar por essa proeza. Importante é manter a cabeça fria e saber aceitar a sua realidade, de forma a que construa um caminho que coincida com o momento que se está a viver.

Talvez. Talvez e talvez. Sim...

Porque me diziam que pode existir sexo sem amor, também o contrário é possível. Logo, encontramos uma amalgama de possibilidades que cada um pode dar uso, pintando o seu quadro ao sabor da sua vivência. Não somos obrigados a gostar da imagem que os outros apresentam. Mas respeitar é imperativo.
Sim. Sim e sim. Quiçá?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pensar



Há um vazio. Algo que está sem opinião. Todos os caminhos que se vislumbram no horizonte, estão estagnados, parados. Não se avança. Pensa-se, pensa-se, pensa-se e depois de muito pensar, não se consegue retirar uma conclusão, de forma a caminhar por um trilho que, ao menos, possa vir a ser uma aposta ganha. Ou não... Vive-se o momento. Trabalha-se, estuda-se, luta-se. E no meio disto tudo, pensa-se. São muitos minutos a pensar.


E o que se pensa? Nas horas de trabalho que se tem, no prazer que ai advém. Na família e amigos que se encontram distantes. Nas histórias que todos os dias nos preenchem a memória. No desejo de se conseguir ver o que desejamos como futuro.


Está-se ansioso por novos acontecimentos. e nada vem. Está-se suspenso a momentos que são oferecidos pela comunicação, ou por conversas estabelecidas com os pares, ou mesmo pelos textos (momentáneos ou não) que todos os dias se lêem.


No meio disto tudo, quando penso - e com tanta informação - não consigo evoluir. Penso, penso, penso, mas não retiro uma conclusão de tanto pensar. E por isso, vivo. Não me esqueço dos assuntos. E se o Homem é curioso, eu também retiro a minha quota parte de curiosidade. Mas gosto de ter as coisas esclarecidas, bem estudadas, ou até mesmo desenvolvidas com toda a informação. Gosto de saber quais as causas ou as razões de tudo o que se tem vontade de saber. O porquê das coisas acontecerem. Qual a história ou o resultado que cada momento tem. Que futuro posso ambicionar para mim. Gostaria de apostar mais em mim, em muitos aspectos.


Não deixarei de pensar. E quase arrisco a dizer que o resultado de tanto pensar, nunca terá uma satisfação plena, pois outros desafios serão colocados e continuar-se-á a pensar. Mas viva-se. Ao menos, aproveita-se para se sentir útil. E depois de tudo isto, chegar-se-á a uma reflexão: o grande culpado de tanto pensar não é tão somente que o tempo. Esse que nos persegue e nos obriga a ter de pensar tanto. De buscar o que sempre queremos. De ambicionar o desejo.

domingo, 22 de maio de 2011

A máquina de Amor Electro



Já me tinha esquecido de ir em busca dos cantores, grupos e bandas que via com frequência, quando ainda vagueava pelas ruas da Capital do Império. Este grupo foi uma evolução que fui presenciando e que, numa determinada fase da vida, a ligação foi cortada. Há coisa de dias, voltei a ter contacto com o grupo e vi esta musica, que me deixou, uma vez mais, encantado com o resultado. Marisa Pinto e a sua voz inconfundível. Muito bom. Recomendo que vejam a sua participação em diversos projectos.




terça-feira, 10 de maio de 2011

Nespresso via correio



Hoje recebi via correio um pequeno presente muito querido. Achei um máximo!! Desde o café ao postal (que tenho postado no meu frigorífico), achei o gesto lindíssimo. Já me ri um bom bocado, pois as conversas são como as cerejas e tive de engolir as minhas próprias palavras, após uma conversa algo divertida. Bem haja pela surpresa, J.R. Foi muito divertida e bem escolhida.

domingo, 1 de maio de 2011

O que é que fica?

O cansaço é visível.
A saturação começa a trazer os seus dissabores.
A procura ou o encontro começa a ser desprovido de sentimento.
O frio e a desconfiança estão latentes.
Tudo é motivo para parar e pensar, muito, sobre algo que deveria ser simples e de decisão fácil.

E aí, reside a insatisfação.

O tempo é rápido.
As vontades soam a falso.
O simples desejo pode motivar a mais vil mentira ou a maior ilusão.
Tudo é válido, até a mais dura (in)verdade.

E aí, reside a desilusão.

Ainda assim, há momentos bons.
Pequeno-almoços surpreendentes.
Conversas (desconhecidas) que nos servem de um bom desabafo.
Uma tarde a não pensar e descansar, contemplando simplesmente.
Uma esplanada onde a cumplicidade pode descansar a alma.
Um jantar animado e inteligente, onde os sorrisos estão presentes.

E aí, reside a vivência.

Mas tudo não passa de histórias.
Histórias como as que estão nos azulejos decorativos do nosso país.
Todos sabemos que contêm (a sua) história, mas estarão levados ao esquecimento.
E a sua quantidade é ínfima e morosa.
O que nos leva a escolher o melhor painel, como base de referência.
Desejando que essa história seja a única retratada em cada traço.
Mas nem sempre encontramos o melhor barro para a sua feitura.

E aí, reside o cansaço...